quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Passeio Socrático

Olá Pessoal.
Hoje venho debater com vocês se bens materiais trazem ou não a felicidade.
Na Antiguidade, quando questionavam Sócrates se ele desejava alguma coisa, caso o vissem parado em frente à um produto qualquer, num mercado qualquer, ele respondia que estava "olhando tudo que não precisava para ser feliz" .
Na atualidade, Frei Betto diz que décadas atrás, no Brasil, se alguém usava uma roupa ou um tênis, era o fato da pessoa usá-los que dava valor ao tênis, à calça, etc. Hoje, alguém só tem valor se usa uma marca, as marcas passaram a ser mais valorizadas, em detrimento do valor pessoal.
Exemplos de renúncia e felicidade não faltam: Na Itália Medieval São Francisco de Assis largou uma enorme fortuna de sua família, os Bernadonne, para seguir àquilo que realmente lhe trazia felicidade, ou seja, servir ao Evangelho. Na Índia, Sidartha Gautama (o Buda), também abriu mão de um Império para encontrar sua paz. E no Brasil, no século XX, Chico Xavier também abandonou uma vida de luxo, que poderia ter obtido com o dinheiro de livros psicografados, para viver uma vida mais simples, porém com mais serenidade, calma, sabedoria e solidariedade. Há diversos exemplos, mas por ora, esses já bastam ao entendimento da mensagem.
Estaria a riqueza condenada a ser uma praga que só leva à perdição? Não creio. Mas o homem já é um ser perdido por natureza, uma natureza difícil, forjada no egoísmo e só modificada muitas vezes com a dor, daí, seres humanos ricos precisarem antes de mais nada, ter uma força de vontade e um coração imensos, aliás, eu diria que é preciso que tenham até mesmo coragem. Sim coragem, pois o mundo facilita a queda dos ricos, oferecendo-lhes tentações imensas. Mas, como podemos ver, esse fato não é irreversível.
Não estou fazendo apologia à miséria, mas antes de lidar com dinheiro, é preciso que todos passem a conhecer seus próprios limites, seus corações. E ninguém melhor que a própria pessoa para saber exatamente o que está oculto, dentro de um coração que se disfarça para o mundo, mas não consegue se esconder de Deus, nem de si próprio.
Eu sempre termino com essa palavra, e hoje não será diferente. Pensem. Lembrem-se do velho Sócrates quando estiverem nos shoppings modernos, com lojas sofisticadas, onde a sede de lucro e a prepotência imperam (pois pobre ali não pode nem chegar perto).
Quando algum vendedor de uma joalheria por exemplo, perguntar o que desejam, antes de responder, se seus bolsos estiverem cheios de dinheiro, pensem com vocês mesmos se o que vocês observam é necessário para encontrarem a felicidade, ou vocês estão querendo comprá-lo simplesmente pela compulsão, por uma vontade incontrolável de gastar o que é tão difícil de obter, pois não devemos esquecer que até mesmo para o mais bem sucedido dos empresários, sua fortuna geralmente é obtida com a força de trabalho de pessoas assalariadas que ficam com a menor parte do lucro, e essa menor parte, muitas vezes não é nem mesmo suficiente para suprir suas necessidades mais básicas.
É possível mudar? Claro, basta querermos. É útil a mudança? Sim, as doenças psicológicas de pessoas ricas e frustradas, juntamente com 900 milhões de famintos no mundo, respondem a essa pergunta. Como mudar? Muito simples. Como diria o bom e velho Emmanuel: Trabalhando. E quando falo de trabalho me refiro não apenas ao trabalho material, mas tudo que é necessário para um ser humano evoluir.
Um trabalho espiritual, levando aos necessitados do mundo ao menos um sorriso, um prato de sopa, um alívio para suas dores físicas e morais, um trabalho social, que diminua os efeitos das concentrações de renda.
É isso. Olhem nas lojas tudo que vocês nem sempre precisam para serem felizes. Saudações à todos.
- Uilson Carlos

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