Inusitado o editorial de Rachel Sherazade sobre o Carnaval. Porém a visão mostrada é muitas vezes extremista e demagógica.
Os problemas a que ela tenta chamar atenção no editorial são endêmicos em nosso social, e não pontuais. O Carnaval, infelizmente, serve de ponto de ebulição desses vários problemas, os quais são estruturais.
A questão do policiamento público, promiscuidade, "elitismo" das atrações etc. é recorrente em outras épocas do ano, senão no ano todo.
A alegação de que o Carnaval não gira a economia é falso. O Carnaval movimenta milhões todo ano, traz turistas brasileiros e estrangeiros, reservas em hotéis, afluência a restaurantes e ao comércio em geral. Nosso potencial turístico depende bastante do Carnaval e não podemos prescindir dele.
A questão do predomínio de música vulgar é bem colocada, pois esses hits são de alto apelo e consumo rápido. Pelo viés moral e ético é algo que devemos forcejar para que perca espaço, uma vez que é um dos indutores para o consumo de álcool, drogas, violência e promiscuidade (arrastamento pelas paixões inferiores).
No entanto, pelo lado de vista do lucro, é algo legítimo, pois estamos no capitalismo. Os artistas só são reconhecidos e recompensados quando fazem seus shows, e não quando vendem discos, é bom lembrar.
Ao final, Rachel oportunamente sinaliza que outrora o Carnaval não apresentava tanto disparate e excessos fatais.
Embora não tenha dito mais, é importante salientar que antigamente havia a voga do Carnaval de salão, de cunho mais familiar e com boa música. Grosso modo, é algo que se perdeu.
O Carnaval de rua, que é representado no Sambódromo, é aberto a grandes explorações comerciais e midiáticas, o que corresponde bem ao caráter volátil e exuberante que a festa do Momo possui hoje.
Com a penetração dos meios tecnológicos e uma avidez ainda maior por lucro da época em que vivemos (sintoma da hegemonia do capital especulativo, que não é tarifado), o Carnaval se tornou palco para os vícios e extroversões doentias.
Mais do que nunca, é preciso estar vigilante e orar, pois a distorção se tornou mais abrangente. Todavia, é importante não "demonizar" a questão financeira. O turismo e os empregos gerados são importantes como força econômica. Desconsiderar esse aspecto é cair em numa perspectiva comunista que denota mais indolência e rebeldia vazia do que inteligência.
O capitalismo está longe de ser algo promissor e desejável, mas é preciso considerar que é a estrutura que temos. A aura do capitalismo está muito ligada à iniciativa e criatividade, fatores que são essenciais à vida em qualquer sistema. Claro que há manipulação e unilateralismo nessa vinculação de imagem, e é algo que precisa ser pensado profundamente para efeito de desmistificação.
Não basta apenas prover as pessoas com cultura letrada, pois muito do coeficiente dela está embutido na cultura audiovisual a que todos tem acesso, por introjeção da mídia.
O que fará a diferença é tornar o espectro da representação política mais abrangente. Precisamos de partidos sérios e com representatividade para um ideal ou estilo de vida desvinculado da avidez do lucro, da ostentação e do imediatismo.
Precisamos de ideologias/partidos que realmente se consagrem à um ideal de vida coletiva calcada no desapego material, no cuidado com o meio ambiente e no congraçamento cristão com o semelhante, seja de que orientação for. Não existe nada parecido no Brasil nem em outro país - mas tanto o momento histórico quanto o momento cósmico estão precisando muito de uma baliza viável desse tipo.
2 comentários:
Olá, anarkodecistas!
Inusitado o editorial de Rachel Sherazade sobre o Carnaval. Porém a visão mostrada é muitas vezes extremista e demagógica.
Os problemas a que ela tenta chamar atenção no editorial são endêmicos em nosso social, e não pontuais. O Carnaval, infelizmente, serve de ponto de ebulição desses vários problemas, os quais são estruturais.
A questão do policiamento público, promiscuidade, "elitismo" das atrações etc. é recorrente em outras épocas do ano, senão no ano todo.
A alegação de que o Carnaval não gira a economia é falso. O Carnaval movimenta milhões todo ano, traz turistas brasileiros e estrangeiros, reservas em hotéis, afluência a restaurantes e ao comércio em geral. Nosso potencial turístico depende bastante do Carnaval e não podemos prescindir dele.
A questão do predomínio de música vulgar é bem colocada, pois esses hits são de alto apelo e consumo rápido. Pelo viés moral e ético é algo que devemos forcejar para que perca espaço, uma vez que é um dos indutores para o consumo de álcool, drogas, violência e promiscuidade (arrastamento pelas paixões inferiores).
No entanto, pelo lado de vista do lucro, é algo legítimo, pois estamos no capitalismo. Os artistas só são reconhecidos e recompensados quando fazem seus shows, e não quando vendem discos, é bom lembrar.
Abraço,
(Complementando)
Ao final, Rachel oportunamente sinaliza que outrora o Carnaval não apresentava tanto disparate e excessos fatais.
Embora não tenha dito mais, é importante salientar que antigamente havia a voga do Carnaval de salão, de cunho mais familiar e com boa música. Grosso modo, é algo que se perdeu.
O Carnaval de rua, que é representado no Sambódromo, é aberto a grandes explorações comerciais e midiáticas, o que corresponde bem ao caráter volátil e exuberante que a festa do Momo possui hoje.
Com a penetração dos meios tecnológicos e uma avidez ainda maior por lucro da época em que vivemos (sintoma da hegemonia do capital especulativo, que não é tarifado), o Carnaval se tornou palco para os vícios e extroversões doentias.
Mais do que nunca, é preciso estar vigilante e orar, pois a distorção se tornou mais abrangente. Todavia, é importante não "demonizar" a questão financeira. O turismo e os empregos gerados são importantes como força econômica. Desconsiderar esse aspecto é cair em numa perspectiva comunista que denota mais indolência e rebeldia vazia do que inteligência.
O capitalismo está longe de ser algo promissor e desejável, mas é preciso considerar que é a estrutura que temos. A aura do capitalismo está muito ligada à iniciativa e criatividade, fatores que são essenciais à vida em qualquer sistema. Claro que há manipulação e unilateralismo nessa vinculação de imagem, e é algo que precisa ser pensado profundamente para efeito de desmistificação.
Não basta apenas prover as pessoas com cultura letrada, pois muito do coeficiente dela está embutido na cultura audiovisual a que todos tem acesso, por introjeção da mídia.
O que fará a diferença é tornar o espectro da representação política mais abrangente. Precisamos de partidos sérios e com representatividade para um ideal ou estilo de vida desvinculado da avidez do lucro, da ostentação e do imediatismo.
Precisamos de ideologias/partidos que realmente se consagrem à um ideal de vida coletiva calcada no desapego material, no cuidado com o meio ambiente e no congraçamento cristão com o semelhante, seja de que orientação for. Não existe nada parecido no Brasil nem em outro país - mas tanto o momento histórico quanto o momento cósmico estão precisando muito de uma baliza viável desse tipo.
Abraço,
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