quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Extremismo: Queda do Socialismo

Olá meus amigos.
Um aluno meu perguntou dias atrás porque o socialismo não deu certo? Bem, achei essa uma questão interessante e resolvi comentá-la aqui hoje.
Analisando atualmente o socialismo do leste europeu, que se difundiu pelo mundo depois da segunda guerra, sustentado pela URSS, eu diria que o socialismo que começou ali, liderado por Lênin, foi excessivamente pragmático, autoritário, ou seja, matou a fome de pão, porém, tirou a liberdade das pessoas, o que causou, creio eu, sua derrocada.
O capitalismo já atua de maneira contrária. Ele privatiza bens e serviços básicos necessários ao andamento de uma sociedade, mas socializa o sonho.
Segundo Mário Sérgio Cortella, existe uma diferença entre o essencial e o fundamental. Essencial seria tudo que não posso deixar de ser ou ter, como característica inerente ao meu ser, ou seja, minha sexualidade, lealdade, beleza, liberdade, entre outras coisas. O fundamental, é tudo aquilo que dá apoio, suporte ao essencial, como um bom trabalho seria fundamental para que eu exercesse minha liberdade, minha dignidade, minha autonomia etc.
Partindo desse ponto de vista, não é dificil perceber que o socialismo marxista do leste europeu resolveu as necessidades fundamentais, porém tirou das pessoas a liberdade, que é uma necessidade essencial do ser humano, pois não há quem não goste de ser livre, principalmente quando essa liberdade é tirada por um Estado autamente centralizador de poderes como a URSS Stalinista.
Bakunin, com seu anarquismo libertário, valorizou por sua vez a liberdade, mas como não conseguiu estruturar o anarquismo na mesma proporção que o marxismo, por isso o anarquismo não foi muito aceito pelas sociedades, e colocado como sinônimo de vandalismo pela sociedade burguesa.
O que se percebe é que existe tanto no anarquismo, quanto no marxismo, um extremismo prejudicial. O que acabou com o socialismo foi exatamente isso, o extremismo.
Hoje, quando me perguntam se sou anarquista ou marxista, respondo que sou humanista. Minhas preocupações sociais superaram a necessidade de me rotular politicamente. Reconheço a grandeza das teorias de Marx, mas também não abro mão da liberdade e da igualdade social pregada por Bakunin.
É preciso que os socialistas façam suas releituras, revejam seus métodos, e se questionem se realmente a ortodoxia política (uma política que não deu certo), seria realmente o melhor caminho.
Eu tenho mais afinidades atualmente com o anarquismo. Porém, me permito mudar de ideia se preciso for, e até mesmo de questionar Karl Marx ou Bakunin, Proudhon, entre outros se preciso, afinal, eu tenho autonomia de pensamento e o mundo atual não é o do século XIX, quando nasceram as teorias desses pensadores.
O importante é que eu não deixe de ser militante político, de divulgar minhas ideias, porque o capitalismo percebeu que enquanto a intelectualidade esquerdista perde tempo discuntindo a lealdade ortodoxa, eles socializam sonhos. Isso faz com que o cara que mora numa favela, mas que terá neste natal sua TV de plasma comprada em 72 vezes nas Casas Bahia, pense que esse sistema é justo, mesmo que dois terços da humanidade ainda passe fome, mas enfim, o sistema faz com que pensem que mudar não é a melhor opção. E o socialismo deu motivos para que a sociedade atual não o veja com bons olhos: a ditadura Stalinista, o socialismo estúpido que predomina na China, e prá piorar, a briga de foice entre os intelectuais comunistas, que tem gritado seus conhecimentos, mas agido pouco.
- Uilson Carlos

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