A violência na Líbia está cada vez mais assustadora. Os donos do poder afirmam que não irão renunciar, e a população tem se manifestado de forma violenta nas ruas, contra a Ditadura de Muamar Kadafi.
A questão toda tem provocado diversos tipos de reações, desde as pequenas tribos que se unem para lutar contra o poder de Kadafi, às especulações do mercado internacional, tão preocupado com o preço do barril de petróleo. Nesse sentido, um aumento no preço do barril, certamente provocará uma inflação a nível mundial, e daí eu passo a temer as medidas drásticas que EUA, China e União Européia, passarão a tomar para acabar com os conflitos.
A lógica do mundo globalizado é mais ou menos essa, a indústria do armamento fatura muito com a continuação dos conflitos, -e nesse caso sabe-se Deus quem está por trás de tudo, se não há grupos separatistas com interesses ocultos- porém, há outras indústrias que perdem seus lucros com a situação no país exportador de uma commoditie tão importante como o petróleo. Não há uma questão humanística, de preocupação com os manifestantes e habitantes daquele país, mas sim com a desaceleração nas economias devido á sua importância no mercado internacional. Logicamente que toda regra tem sua exceção, eu vejo pessoas preocupadas que até oração andam fazendo pela paz do país.
Daí é quase impossível não parar para pensar no que está acontecendo no mundo, pois em poucos anos tivemos uma crise econômica nos EUA, com a bolha imobiliária, uma crise econômica na Europa, que inclusive sentiu o peso do Brasil e outros emergentes no mercado que antes só era dividido praticamente com os americanos, e agora temos a crise do Oriente Médio e Norte da África, como dizem por aí.
O que não concordo com os comentaristas políticos, é que essa seja mais uma crise que possa ser comparadas às outras, pois nas outras crises, (EUA e União Europeia), tivemos problemas na economia que afetaram o lado social, dessa vez é o lado social, da urgência em serem atendidas as necessiades do povo sofrido daquela região, que vive sob a ordem de regimes absurdos, desumanos, que enfim, estão começando a explodir e daí sim, afetam a economia por uma provável alta do petróleo.
A imprensa faz manchetes sensacionalistas, mas não explica por exemplo, que há uma concentração de renda fortíssima naquela região, riquíssima em petróleo.
A situaçao dessa vez é muito mais grave. Nos EUA por exemplo, quando houve a crise provocada pelo excesso de crédito para tentar reerguer a economia americana, houve casos de pessoas que foram realmente expulsas de suas casas, e as casas vendidas por um preço bem abaixo do valor de mercado. Mas, dessa vez estamos falando de pessoas que lutam contra governos ditadores, vivendo numa região que cresceu economicamente mas não se desenvolveu. A riqueza dos príncipes árabes não é sinônimo de sociedade desenvolvida do ponto, de vista econômico. É isso que as pessoas daqui do ocidente tem que entender.
Vivemos a mesma situação no Brasil. Há crescimento econômico, mas não há desenvolvimento social.
Enfim, não é uma situação fácil. Eu, que não tenho poder político nenhum, a não ser o de voto, que uso obrigatoriamente e procuro fazê-lo de forma consciente, vou orar como fizeram outro dia um grupo de amigos espíritas, pela paz na região. Junte-se a mim nessa atitude. Ao menos estaremos fazendo alguma coisa por aquele povo e região tão sofridos.
- Uilson Carlos
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